sábado, 29 de outubro de 2011

How are you?


Ser “englishman in New York” sempre foi uma coisa que me fascinou. Sempre que vamos para um novo lugar, reparamos em coisas que quase ninguém repara, fazemos comparações com aquilo que conhecemos, surpreendemo-nos com o que, para os nativos, é profundamente banal.
Eis as coisas que a Zabula Emigra tem vindo a reparar:
. As pessoas por cá são em geral muito simpáticas. Basta dizer que somos “new kids in town” para logo nos brindarem com um fantástico “Welcome to Sydney”. Sempre que chegamos a uma sitio perguntam-nos “how are you today?” e muitas vezes quando vamos embora ainda dizem “have a good day”. De quando em vez tratam-nos por “bella” ou “darling”.
. O semáforos são a loucura: existem 4 por cada 2 no resto do mundo. Sim, 2 dos semáforos estão onde estão os nossos semáforos em Portugal e os outros dois estão do outro lado da estrada. Ou seja, pode-se parar o carro bem mais à frente, porque se consegue sempre ver quando passa a verde. Além disso, para os peões os barulhos estão ali entre o apitar da caixa registadora e a espada do Darth Hater. Há ainda uma setinha para a malta que não vê nem ouve, que treme quando é altura de passar a estrada. Eu fiquei fascinada com os semáforos, confesso.
. Os comboios na sua maioria têm bancos que permitem mudar a direcção em que estamos sentados. Andava eu no comboio e comecei a perceber que aquelas disposições de bancos não faziam sentido nenhum, ou seja, estavam tipo 2 virados para um lado, depois 1 virado para o outro e a seguir 10 virados para o mesmo lado do primeiro. Fez-se luz quando vi um senhor agarrar numa espécie de manípulo que existe de lado no banco e virar as costas para o lado contrário. Ok, isto é difícil de explicar por palavras, mas eu um dia fotografo.
. Outra coisa bem gira é a indumentária das raparigas (sim, uma gaja repara nestas coisas e tem que partilhar com o mundo). Então é assim: as moças cá quando usam mini-saia, usam mesmo mini mini-saia. Aquilo a que nós chamamos cintos em Portugal, cá são saias pelo joelho quase. Quando usam calções curtinhos, são mesmo curtinhos. Os nossos são corsários ao pé destes. Existem também as saídas ao fim de semana com fatiotas específicas, tipo enfermeiras, policias, fadas… enfim. É tipo a Oura no Verão. Até aqui tudo bem. O mais giro é que no que toca a ir para a praia, pelo que tenho percebido, ficam escandalizadas com o bikinis, por serem demasiado a descoberto. Nomeadamente na parte de baixo. E sim, pelo que já vi nas montras, as partes de baixo dos bikinis aqui parecem as cuecas que a minha avó faz com os lençóis de flanela. Quanto a fazer top less, não há problema nenhum. Acho muito engraçadas estas contradições.
. O álcool é outra das coisas que aqui é de loucos. Há um sem número de leis e restrições relativamente ao álcool. Não pode ser vendido em supermercados, só em garrafeiras, é caro, os restaurantes, bares e pubs têm que ter licenças especiais para poderem vender álcool e em muitos sítios não se vende mesmo. A medida para a quantidade de álcool numa bebida é standard (um copo de shot), os bares são obrigados a ter água de graça para os clientes, todas as pessoas que trabalhem em sítios em que se venda álcool têm que fazer um curso de um dia e ter um certificado… enfim, é ligeiramente demais, até porque se sairmos à noite, há pessoas a cair de bêbedas em quase todas as esquinas.
. A noite cá começa às 6 ou 7 da tarde e acaba tipo às 2 ou 3 da manhã, assim já na loucura.
. 95% das pessoas têm um IPhone. É quase uma vergonha ir no comboio e ter que sacar de um Nokia que nem camara fotográfica tem! J Toda a gente está agarrada ao seu IPhone, a ver o facebook, a ouvir musica… Vê-se também imensos E-books e outros gadgets.
… to be contibued

Welcome to Sydney!


Estou mais de um mês atrasada… na escrita, note-se! Mas isto é mesmo assim, muda-se de hemisfério, de fuso horário, de gentes, de vida no fundo, e nem sempre a inspiração chega. E a vontade de escrever também tardou.
Mas cá estou, a carregar no botão “actualizar” para que este blog comece verdadeiramente a fazer sentido.
Cheguei a este lado do mundo no dia 20 de Setembro de 2011 por volta das 20h. A última barreira para entrar na Austrália são cães a cheirar a bagagem. Se passarmos com sucesso pelos canídeos, ‘tá safo. Em casa esperava-me a primeira mixelândia de nações: Chile, Espanha (Catalunha para não ferir susceptibilidades), República Checa e Brasil. A primeira casa da Austrália será sempre a casa dos vitrais. Vitrais em quase todas as janelas, o que é comum em casas mais antigas por cá.
As primeiras palavras? Welcome to Sydney!
Quarta feira de manhã, estava pronta para ganhar o mundo. Abri um olho, olhei para o vitral e pensei: bom dia alegria! Depois só assim por curiosidade, olhei para o relógio e pensei: tá quieta Isabel e volta a dormir que são pouco mais que 5 da matina! Sim, o sol nasce cedo por cá, e nascia ainda mais cedo antes de a hora ter mudado.
Obviamente que nos primeiros dias acordei cedíssimo, não pelo jet leg, mas sim pela claridade a entrar pela janela colorida e porque o comboio passava mesmo ali ao lado. Até que me lembrei que tinha trazido a bolsinha do avião que continha uma fantástica pala para tapar os olhos… e as minhas noites começaram a ser normais! Viva a China Southern J Ah, é verdade, quem me dizia que os voos de longo curso era o máximo, duas palavras: tenham juízo!
Estar do outro lado do mundo é estranho… mas mais estranho ainda é não parecer que se está no outro lado do mundo. Os primeiros dias foram de turismo e burocracias: transportes, conta no banco, número de contribuinte, mapas e mais mapas e mapinhas, fotos especialmente panorâmicas, e deslumbre com toda a novidade. E ainda ter a sorte de contar com algumas pessoas que ajudaram e muito no encaixe das novidades.
Desde o primeiro dia cá que me sinto muito e muito confortável. É uma sensação que não dá para explicar: parece que tudo faz sentido e mesmo as coisas que neste momento ainda não estão no devido lugar, parecem destinadas a ocupá-lo.