Adoro escrever. Deveras que gosto. Faz-me bem à alma. Mas tenho que escrever quando sinto vontade. Tem que vir de dentro e não ser um mero relato de acontecimentos. É por isto que sempre falhei a escrever diários...
Criei este blog para que pudesse partilhar a minha experiência por Down Under. Mas a verdade é que já lá vão 2 meses que cheguei ao outro lado do mundo, e por cá estão três posts...
Lamento o vazio, que nada tem a ver com o que vai cá dentro. Muito pelo contrário. Por aqui o coração vai cheio.
Mas não sinto vontade de transformar tudo em palavras, frases, textos.
Quando fizer sentido, eu volto.
Até lá, vou viver :)
Sempre detestei esta expressão, tal como sempre detestei palmadinhas nas costas. Porquê? Porque são sempre utilizadas quando quero alguma coisa e não posso tê-la. Sim, sou mimada e quando quero algo, gosto de o ter. Porque não há mais marés que marinheiros, e porque as oportunidades só surgem uma vez. Se "ficar para a próxima", vai acontecer certamente de maneira diferente.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
How are you?
Ser “englishman in New York” sempre foi uma coisa que me
fascinou. Sempre que vamos para um novo lugar, reparamos em coisas que quase
ninguém repara, fazemos comparações com aquilo que conhecemos, surpreendemo-nos
com o que, para os nativos, é profundamente banal.
Eis as coisas que a Zabula Emigra tem vindo a reparar:
. As pessoas por cá são em geral muito simpáticas. Basta
dizer que somos “new kids in town” para logo nos brindarem com um fantástico
“Welcome to Sydney”. Sempre que chegamos a uma sitio perguntam-nos “how are you
today?” e muitas vezes quando vamos embora ainda dizem “have a good day”. De
quando em vez tratam-nos por “bella” ou “darling”.
. O semáforos são a loucura: existem 4 por cada 2 no resto
do mundo. Sim, 2 dos semáforos estão onde estão os nossos semáforos em Portugal
e os outros dois estão do outro lado da estrada. Ou seja, pode-se parar o carro
bem mais à frente, porque se consegue sempre ver quando passa a verde. Além
disso, para os peões os barulhos estão ali entre o apitar da caixa registadora
e a espada do Darth Hater. Há ainda uma setinha para a malta que não vê
nem ouve, que treme quando é altura de passar a estrada. Eu fiquei fascinada
com os semáforos, confesso.
. Os comboios na sua maioria têm bancos que permitem mudar a
direcção em que estamos sentados. Andava eu no comboio e comecei a perceber que
aquelas disposições de bancos não faziam sentido nenhum, ou seja, estavam tipo
2 virados para um lado, depois 1 virado para o outro e a seguir 10 virados para
o mesmo lado do primeiro. Fez-se luz quando vi um senhor agarrar numa espécie
de manípulo que existe de lado no banco e virar as costas para o lado
contrário. Ok, isto é difícil de explicar por palavras, mas eu um dia
fotografo.
. Outra coisa bem gira é a indumentária das raparigas (sim,
uma gaja repara nestas coisas e tem que partilhar com o mundo). Então é assim:
as moças cá quando usam mini-saia, usam mesmo mini mini-saia. Aquilo a que nós
chamamos cintos em Portugal, cá são saias pelo joelho quase. Quando usam
calções curtinhos, são mesmo curtinhos. Os nossos são corsários ao pé destes.
Existem também as saídas ao fim de semana com fatiotas específicas, tipo
enfermeiras, policias, fadas… enfim. É tipo a Oura no Verão. Até aqui tudo bem.
O mais giro é que no que toca a ir para a praia, pelo que tenho percebido,
ficam escandalizadas com o bikinis, por serem demasiado a descoberto.
Nomeadamente na parte de baixo. E sim, pelo que já vi nas montras, as partes de
baixo dos bikinis aqui parecem as cuecas que a minha avó faz com os lençóis de
flanela. Quanto a fazer top less, não há problema nenhum. Acho muito engraçadas
estas contradições.
. O álcool é outra das coisas que aqui é de loucos. Há um
sem número de leis e restrições relativamente ao álcool. Não pode ser vendido
em supermercados, só em garrafeiras, é caro, os restaurantes, bares e pubs têm
que ter licenças especiais para poderem vender álcool e em muitos sítios não se
vende mesmo. A medida para a quantidade de álcool numa bebida é standard (um
copo de shot), os bares são obrigados a ter água de graça para os clientes,
todas as pessoas que trabalhem em sítios em que se venda álcool têm que fazer
um curso de um dia e ter um certificado… enfim, é ligeiramente demais, até
porque se sairmos à noite, há pessoas a cair de bêbedas em quase todas as
esquinas.
. A noite cá começa às 6 ou 7 da tarde e acaba tipo às 2 ou
3 da manhã, assim já na loucura.
. 95% das pessoas têm um IPhone. É quase uma vergonha ir no
comboio e ter que sacar de um Nokia que nem camara fotográfica tem! J Toda a gente está
agarrada ao seu IPhone, a ver o facebook, a ouvir musica… Vê-se também imensos
E-books e outros gadgets.
… to be contibued
Welcome to Sydney!
Estou mais de um mês atrasada… na escrita, note-se! Mas isto
é mesmo assim, muda-se de hemisfério, de fuso horário, de gentes, de vida no
fundo, e nem sempre a inspiração chega. E a vontade de escrever também tardou.
Mas cá estou, a carregar no botão “actualizar” para que este
blog comece verdadeiramente a fazer sentido.
Cheguei a este lado do mundo no dia 20 de Setembro de 2011
por volta das 20h. A última barreira para entrar na Austrália são cães a
cheirar a bagagem. Se passarmos com sucesso pelos canídeos, ‘tá safo. Em casa
esperava-me a primeira mixelândia de nações: Chile, Espanha (Catalunha para não
ferir susceptibilidades), República Checa e Brasil. A primeira casa da
Austrália será sempre a casa dos vitrais. Vitrais em quase todas as janelas, o
que é comum em casas mais antigas por cá.
As primeiras palavras? Welcome to Sydney!
Quarta feira de manhã, estava pronta para ganhar o mundo.
Abri um olho, olhei para o vitral e pensei: bom dia alegria! Depois só assim por
curiosidade, olhei para o relógio e pensei: tá quieta Isabel e volta a dormir
que são pouco mais que 5 da matina! Sim, o sol nasce cedo por cá, e nascia
ainda mais cedo antes de a hora ter mudado.
Obviamente que nos primeiros dias acordei cedíssimo, não
pelo jet leg, mas sim pela claridade a entrar pela janela colorida e porque o
comboio passava mesmo ali ao lado. Até que me lembrei que tinha trazido a
bolsinha do avião que continha uma fantástica pala para tapar os olhos… e as
minhas noites começaram a ser normais! Viva a China Southern J Ah, é verdade, quem me
dizia que os voos de longo curso era o máximo, duas palavras: tenham juízo!
Estar do outro lado do mundo é estranho… mas mais estranho
ainda é não parecer que se está no outro lado do mundo. Os primeiros dias foram
de turismo e burocracias: transportes, conta no banco, número de contribuinte,
mapas e mais mapas e mapinhas, fotos especialmente panorâmicas, e deslumbre com
toda a novidade. E ainda ter a sorte de contar com algumas pessoas que ajudaram
e muito no encaixe das novidades.
Desde o primeiro dia cá que me sinto muito e muito
confortável. É uma sensação que não dá para explicar: parece que tudo faz
sentido e mesmo as coisas que neste momento ainda não estão no devido lugar,
parecem destinadas a ocupá-lo.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Espécie de prefácio
Estou a ressacar com a falta de escrita e não consigo esperar até chegar ao destino da minha maré...
Por isso resolvi encetar as hostes hoje mesmo, dia em que chegou a aprovação do meu visto e em que, se não acontecer nada de catastrófico, falta uma semana para chegar a Sydney. Há o nervoso miudinho normal de quando se embarca numa aventura e se está quase à beira do desconhecido.
Mas dentro deste modo, o estranho é a calma que sinto e a sensação de tranquilidade que me assola. Parece que tudo está no seu lugar, no lugar certo. Nunca me senti tão bem como me sinto por estes tempos. A família e os amigos enchem-me o coração, a alma e tudo mais. Tudo o que fiz e vivi últimos tempos faz-me acreditar que aproveitei ao máximo os sítios, as pessoas, os momentos. As histórias mal resolvidas simplesmente estão arrumadas e não me atormentam mais. Aquele que amei vai-se perdendo no tempo e deixando o pensamento livre. E gosto tanto de mim, daquilo que sou e daquilo em que acredito. E gosto tanto das pessoas que me rodeiam e que fazem parte de mim.
Costumo dizer que me perco e encontro e é nisso que reside o meu prazer. A verdade é que não me importo se me voltar a perder, mas encontrar-me está a ser tão, mas tão bom...
E é assim que vou partir, porque se deve procurar fora o que pode estar fora, mas nunca procurar fora o que está, certamente, dentro!
Voltarei quando estiver do outro lado do mundo. Até lá.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
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